Palavras Solitárias e Palavras Acompanhadas - O eterno construir entre elas.
Existem palavras que caminham sozinhas.
São aquelas que, na língua portuguesa, raramente admitem plural. Fé. Coragem. Honestidade. Paciência. Sentimentos e virtudes que parecem habitar um espaço singular, ainda que carreguem dentro de si um universo de experiências, memórias e emoções.
Talvez sejam solitárias apenas na gramática.
Porque na vida, cada uma delas é composta por inúmeras vivências. A fé nasce das dúvidas. A coragem convive com os medos. A paciência é construída pelas esperas. A honestidade se revela nas escolhas.
Há também palavras que parecem não gostar da solidão. Férias, parabéns, arredores, bastidores. Vivem acompanhadas, como se carregassem em si a ideia de conjunto, de multiplicidade, de encontro.
E nós?
Somos, também, compostos pelas palavras que escolhemos. Pelas que oferecemos aos outros e, principalmente, pelas que dedicamos a nós mesmos.
Somos feitos de palavras, de histórias e de significados.
Somos compostos e únicos. Duais como a vida. Como os dias que se alternam entre luz e sombra. Como os desafios que nos propomos a enfrentar e, muitas vezes, a superar, seguindo adiante, por vezes à frente de normas, conceitos e caminhos já estabelecidos.
Na escrita existem regras. Existem linhas que orientam a comunicação e tornam possível a compreensão. São trilhos que ajudam as ideias a encontrarem destino.
Mas a vida, assim como a linguagem, também encontra beleza nas exceções.
Aristóteles afirmava que somos aquilo que fazemos repetidamente. E aquilo que fazemos com insistência transforma-se em excelência.
Por isso seguimos aprendizes.
Sempre.
Curiosos diante do desconhecido. Corajosos diante das mudanças. Dispostos a descobrir novos significados para velhas palavras e novas formas de interpretar o mundo.
Somos vida pulsante... No singular e no plural.
Sozinhos ou Acompanhados... VIVOS!
Estella Parisotto Lucas
Sou das Linguagens! Múltipla no meu pulsar e única no meu mosaico de vida.



Comentários
Postar um comentário